Antes do Mundial, David Lima revela apoio inspirador de Derly em retomada da carreira

Baku, a capital do Azerbaijão, recebe a partir do próximo domingo o Campeonato Mundial sênior, principal competição da temporada 2026. O judô gaúcho participará do torneio com seis atletas, todos da Sogipa, que tentarão medalhas para o Brasil. Ao longo desta semana, a Federação Gaúcha de Judô public
Baku, a capital do Azerbaijão, recebe a partir do próximo domingo o Campeonato Mundial sênior, principal competição da temporada 2026. O judô gaúcho participará do torneio com seis atletas, todos da Sogipa, que tentarão medalhas para o Brasil.
Ao longo desta semana, a Federação Gaúcha de Judô publica uma matéria com cada um dos judocas do estado que atuarão no torneio. David Lima é o terceiro retratado da série. Além dele, os colegas de clube Jéssica Lima, Daniel Cargnin, Guilherme Schimidt, Rafael Macedo e Leonardo Gonçalves também lutarão no evento.
Conta a história que numa tarde de calor de fevereiro de 2005, um esforçado João Derly – recém voltando a competir depois de meses sem lutar em razão de uma punição – dava voltas e voltas na pista de atletismo da Sogipa. Bastante molhado pelo verão implacável de Porto Alegre, enxugou-se com as mãos e, deixando o suor escorrer pelos dedos, fitou um amigo e profetizou: “Está vendo isso? Vai virar ouro no Mundial”.
Longe de ser levada a sério, a frase confiante foi motivo de risos debochados no momento. Oito meses depois, o gaúcho entrou para a história ao se tornar o primeiro brasileiro campeão do mundo de judô, alterando não apenas o rumo da própria carreira, mas o patamar da modalidade no país.
David Lima só conheceu essa história dias atrás. Ouviu e se arrepiou. Saber da história de resiliência de um ídolo, neste momento, tem um sabor a mais. Isso porque o atleta da Sogipa, prestes a disputar o seu primeiro Campeonato Mundial no individual, tal como Derly, teve de enfrentar um desagradável momento de resiliência na carreira.
Há cerca de dois anos, David encarou uma séria de lesão no joelho, que o impediu de competir meses a fio. Atravessando um longo inverno, viu-se desanimado. Até que alguém o inspirou: “Mesmo quando eu estava machucado, eu vinha treinar todos os dias, sem falta. Mas quando você está nesta fase, bom, é mais para ajudar o grupo, mas você fica meio triste. É duro saber que não se está no melhor momento”, narrou.
Pesava a David a extensa, mas necessária rotina de treinar e buscar se curar, enquanto o calendário seguia e os anos passavam. Não raro, os dias eram de desânimo. Num deles, ocorreu algo que virou a chave: “Um dia eu cheguei no tatame e o Derly, que ainda nem era técnico, chegou para mim e disse: ‘Vamos cara eu confio em ti, confio em ti para este ciclo. Tu tens muito potencial’”, contou.
A frase, vinda de um bicampeão mundial, o pegou de surpresa. E reanimou David de uma forma inesperada: “Era um dia normal, não tinha nada de especial e ele chegou e disse aquilo. Eu não esperava. Ninguém nunca tinha falado assim para mim”, afirmou. “Aquilo me acendeu, porque entendi que não estava sozinho, que não tinha nada acabado. Ver que as pessoas confiam e contam contigo faz a diferença. Isso reflete muito.”
Essa conversa com Derly, David lembrou, ocorreu em agosto de 2025. Ainda no fim do ano passado, ele foi campeão do Troféu Brasil, numa conquista que marcou a arrancada para garantir a vaga no Mundial de Baku neste ano, na condição de 26 do mundo nos 81kg. “Desencadeou tudo isso que está acontecendo na minha carreira”, disse ele, que faturou medalhas em Pan-Americano e em Grand Slam em 2026, além de ter sido campeão do Grand Prix de Lima.
Agora, às vésperas do Mundial, esbanjando confiança, ele evoca mais uma vez o ídolo: “Tem um tanto de João Derly comigo nesta caminhada”.
Esta notícia foi agregada de Federação Gaúcha de Judô.
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